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Eficiência energética como medida de sustentabilidade

Autor: Flávia Lima

A expectativa é que ações de eficiência energética evitem, em 2020, o consumo de energia equivalente a 415 mil barris de petróleo por dia e à geração de uma usina hidrelétrica com capacidade de 8.200 MW


Eficiência energética no Brasil e no mundo deixou de ser opcional para ser medida obrigatória a ser adotada, especialmente pelas indústrias que têm a eletricidade como um dos seus principais custos. Embora muito já tenha sido feito com relação à eficiência energética - estima-se que, nos últimos 20 anos, o Brasil tenha reduzido o consumo em 50 TWh -, ainda há muito para se fazer. Segundo o diretor de estudos econômico-energéticos e ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Amilcar Guerreiro, antes do período de racionamento, que aconteceu em 2001, o consumo médio de uma casa brasileira era de 180 kWh. Esse consumo ainda não foi recuperado, tendo chegado, nos dias de hoje, aos 155 kWh. E a meta é que haja uma redução da demanda de aproximadamente 106 TWh até o ano de 2030. Estes e outros assuntos relativos à eficiência energética foram amplamente debatidos durante a nona edição do Congresso Brasileiro de Eficiência Energética na Empresa (Cobee), realizada em São Paulo, no mês de julho.

"O Brasil conta com um potencial enorme de eficiência energética em diversas áreas, especialmente de infraestrutura, como no transporte, que consome 30% da energia gerada", afirmou Guerreiro. Segundo ele, ainda há espaço para reduzir o desperdício e há oportunidades de melhoria com intervenção de tecnologias que tornem os processos mais eficientes. Para se ter ideia, a EPE projeta que, por meio de iniciativas de eficiência energética, possa ser evitado em 2020 o consumo de energia equivalente a 415 mil barris de petróleo por dia e à geração de uma usina hidrelétrica com capacidade de 8.200 MW.

Na opinião do diretor de energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Eduardo Moreno, o elevado custo da eletricidade é o principal gargalo. "Indústrias, especialmente as eletrointensivas, planejam sair do país devido às altas tarifas de energia", avalia. Nesse sentido, ele alerta para a importância de se investir em eficiência energética para garantir a manutenção da competitividade. "As grandes empresas já enxugaram ao máximo seu consumo de energia, mas essa preocupação precisa chegar também às médias empresas, que faturam até R$ 200 milhões por ano e que costumam gastar de 10% a 20% do seu faturamento com eletricidade. Implantando um programa de eficiência energética, é possível reduzir em até 25% desse consumo", estima.

Eduardo Moreno também criticou a situação da legislação atual no que se refere à Lei nº 12.212, de 20 de janeiro de 2010, que altera a Lei nº 9.991, de julho de 2000. Segundo o novo documento, as concessionárias e permissionárias de distribuição de energia elétrica deverão aplicar, no mínimo, 60% dos recursos dos seus programas de eficiência para unidades consumidoras beneficiadas pela tarifa social. As concessionárias de distribuição devem destinar, anualmente, 0,5% da sua Receita Operacional Líquida (ROL) em programas de eficiência energética.

O resultado é que dos recursos destinados pelas distribuidoras de energia para projetos de eficiência energética, 5% vão para o setor que mais consome - a indústria, responsável por 45% do consumo de eletricidade no País. "Por outro lado, o consumidor residencial, em especial, a baixa renda, que menos consome energia, acaba ficando com 80% do recurso", contesta Moreno. Dessa maneira, ele explica, o programa que é destinado a ações de eficiência energética acaba se tornando um programa social e deixa de atender plenamente ao seu propósito original.

Plano Nacional de Eficiência Energética

O Plano Nacional de Energia 2030 já havia considerado os ganhos com eficiência energética nas suas projeções de demanda e, além dos 5% de redução do consumo a partir do progresso autônomo (programas já existentes, reposição tecnológica, etc.), estabeleceu-se uma meta de 5% adicionais pelo progresso induzido, que foi detalhado no Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf) e que protagonizou um dos painéis de discussão do primeiro dia do congresso.

Lançado em outubro de 2011, o PNEf nasceu com a proposta de "identificar os instrumentos de ação e de captação de recursos, de promoção do aperfeiçoamento do marco legal e regulatório afeto ao assunto, de forma a possibilitar um mercado sustentável de eficiência energética e mobilizar a sociedade brasileira no combate ao desperdício de energia, preservando recursos naturais".

Em suma, o Plano traz algumas propostas para que os setores da economia se organizem e providenciem medidas que visem à eficiência energética que, segundo o documento, "concorre com um investimento na produção".

A meta do PNEf é que se reduza a demanda em 0,5% ao ano, cerca de 106 TWh até 2030. "Estamos sendo modestos nas metas porque, em dois, três anos, os números ficam mais complicados. A proposta é que a cada dois anos, o plano de trabalho seja analisado por meio de monitoramento e verificação e haja mais integração com outros programas que tenham a mesma finalidade", explicou o gerente do Procel Sanear/Eletrobras, Marco Aurélio Moreira.

Uma das dificuldades que ele evidencia para o sucesso do Plano é a falta de mão de obra capacitada. "Isso ocorre nas indústrias, que não contam com engenheiros qualificados que sabem identificar potenciais ganhos de eficiência energética e tampouco querem a ajuda de uma Esco", diz.

E a indústria é um dos principais alvos do plano tendo em vista que é um dos setores com maior potencial de redução. De acordo com o documento, há um potencial técnico de redução de 25,7% do consumo total de energia (eletricidade e combustíveis) da indústria. Para as micro, pequenas e médias empresas (MPME), por exemplo, o PNEf propõe, entre inúmeras outras, as seguintes medidas:

Promover meios de divulgar as empresas, indústrias ou empreendimentos sobre os riscos e cuidados na contratação de serviços em eficiência energética, fazendo o contratante procurar por profissionais capacitados ou habilitados nessa área;
Fomentar o uso, manutenção e melhoria de isolação térmica nos equipamentos e tubulações industriais;
Fortalecer ou criar mecanismos de incentivos para ampliar a participação das Escos com os segmentos produtivos;
Incentivar o uso da iluminação natural;
Fomentar o aprimoramento das ferramentas de gestão existentes, incluindo os softwares de gestão energética para que incorporem os conceitos contidos na norma ISO 50001.
Para mais informações acesse: http://www.osetoreletrico.com.br/web/component/content/article/57-artigos-e-materias/899-eficiencia-energetica-como-medida-de-sustentabilidade.html

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